Entrevista exclusiva com Gustavo Cerbasi sobre o Doutor Finanças !

1 - Em seus livros, você procura evidenciar para as pessoas quais são
os fatores críticos para se ter uma vida financeira saudável.
Resumidamente, quais seriam estes fatores?
Há três pontos fundamentais para uma vida financeira saudável: gastar menos do que se ganha, investir de forma planejada a diferença e dedicar-se ao aprendizado para melhorar suas escolhas. Parece simples, mas há outros requisitos necessários para que essas simples escolhas funcionem. Não adianta gastar menos do que a renda se não houver qualidade de consumo, pois ela é necessária para que não tendamos a destruir a poupança. Não adianta investir se não houver objetivos evidentes de uso das reservas, pois eles são necessários para que sustentemos nossos esforços. Uma vida financeira saudável se baseia no equilíbrio das escolhas.
2 - Qual a importância do Doutor Finanças, que irá elaborar um planejamento financeiro com a pessoa e lhe acompanhar durante um período de tempo, no sucesso de uma boa vida financeira?
Ele funciona com um personal trainer das Finanças. Quem nunca teve o hábito ou a rotina de organizar suas finanças e fazer planos, iniciar essa tarefa é difícil ou pouco motivante. O papel do Doutor Finanças é incentivar as pessoas a manterem seu foco e fornecer caminhos mais simples para as melhores escolhas. Não é exatamente um consultor financeiro que determina “faça isso” ou “não faça aquilo”, mas sim um coach que sugere possíveis caminhos inteligentes para cada necessidade que a pessoa tem.
3 - Você aconselha a utilização de gerenciadores financeiros, como o FinanceDesktop, para melhor organizar suas finanças?
Um gerenciador financeiro não é essencial para o planejamento financeiro pessoal, mas facilita imensamente nossa organização. Uma simples planilha eletrônica é suficiente para controlar o orçamento de famílias que têm uma vida financeira pouco complexa. Porém, quando um gerenciador nos leva além, com a integração automática de contas a pagar, cartão de crédito, investimentos e controle do patrimônio, estamos falando de maior qualidade de informação com menor perda de tempo.
4 - Como chegar ao tão sonhado primeiro milhão?
Com metas claras de poupança regular, disciplina e boas escolhas. É mais uma questão de tempo do que de dedicação, pois o primeiro milhão não precisa vir cedo para quem está feliz com sua vida, sua carreira e seu consumo.
5 - Você acredita na falta de sorte ou a considera uma desculpa das pessoas para o insucesso?
Sorte é um conceito abstrato, que para mim não tem nenhum sentido. Quanto mais trabalho, mais sorte tenho. Quanto mais me planejo, menos a falta de sorte me prejudica. Se um empresário tem a vida arruinada com o surgimento de um concorrente, faltou-lhe planejamento e conhecimento de mercado. Se uma doença arruína a qualidade de vida de uma família, faltou contratar seguros. Se o desemprego acaba com a auto-estima de um trabalhador, faltou criar uma reserva de emergências adequada a sua realidade. Falta de sorte não passa de desculpa.
6 - Ter sempre uma pessoa ao seu lado, lembrando das suas tarefas e deveres, como se propõe o Doutor Finanças, é aconselhável?
Quanto mais insegura está a pessoa, ou quanto menos tempo ela tem, mais importante é o papel de um tutor na condução de suas escolhas, mesmo que seja um tutor virtual, como o que procuramos criar com o Doutor Finanças.
7 - Educação Financeira e Finanças Pessoais ainda são assuntos tabus na vida das pessoas?
Acredito que esses temas estão deixando de ser tabus, pois estão amplamente presentes na mídia e as pessoas estão conscientes da importância de cuidarem de suas finanças. Na verdade, estamos assistindo à queda de grandes tabus, com as pessoas buscando conscientemente soluções para algo que já identificam como uma necessidade urgente. Quanto mais o assunto “dinheiro” estiver presente no nosso cotidiano, menos paixões e compulsões serão construídas, e mais inteligente e rico será o uso do dinheiro.
8 - A educação financeira no Brasil ainda é muito incipiente. Você acredita em ações como as do blog Finanças Pessoais que busca divulgar conteúdo de alta qualidade sobre o tema para os leitores?
Não é o blog em si, mas a qualidade dele que faz a diferença. Infelizmente, como a educação financeira é um assunto que está na moda, a quantidade de informação não corresponde em qualidade. Por isso, toda iniciativa que privilegie a qualidade da informação é louvável.